Arigatou gozaimasu: relato da aluna Ana Paula Jardim da sua participação na Maratona de Tokyo.

Menos de 30 dias depois de correr a TTT solo e obter a 8ª colocação geral, nossa gigante Paulinha, conta como foi sua participação na edição de 2018 da Maratona mais famosa do Japão, uma das 6 Majors.

 

Confira.

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Manhã de domingo: 25/02/18. 
Não parecia que eu estava do outro lado do mundo prestes a correr uma maratona.
Eu estava muito tranquila e de sangue doce. Dormi incrivelmente bem na véspera.

Dizer que a Maratona de Tokyo é organizada é o mesmo que dizer que faz calor no deserto. Tudo impecável.

Na largada tinha, literalmente, gente do mundo inteiro. Uma vibe muito bacana. Clima ideal (apesar dos 4 graus). Encontrei vários brasileiros espalhados por ali.

Quando soou a buzina, pude ver a famosa chuva de papéis brancos picados voando. Frio na barriga e arrepios, como sempre.

Comecei a correr leve, num ritmo confortável e encaixado de 5'15 por km. Nem acreditava que estava tão confortável depois dos últimos treinos simplesmente não fluírem em função de todo o contexto (TTT há apenas 4 semanas, etc). Mas estava me sentindo muito bem e correndo para fazer meu melhor tempo em maratona. Eu estava radiante e com a confiança nas alturas. Mantive assim até o km 24, quando voltei a minha realidade atual e perdi o ritmo. Quebrei. Mas quebrei feliz da vida. Senti que, apesar de tudo, era questão de pouco tempo para eu retomar o embalo pré TTT. Continuei correndo e vendo meu desempenho despencando a cada quilômetro. Mas e daí? Poxa, eu estava no Japão, correndo uma das maiores maratonas do mundo e me divertindo. Não tinha porque deixar o resultado me abalar.

 

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O percurso passa por diversos pontos turísticos que eu já tinha tido o prazer de conhecer turistando nos dias anteriores à maratona. São muitos vai-e-vem que só se tornaram legais quando vi a elite passar no sentido contrário com os quenianos e japoneses disputando ombro a ombro (eles estavam fechando 25km enquanto eu estava com 14km).

O pessoal que está concluindo a sexta Major corre com uma plaquinha nas costas indicando o grande feito. Encontrei alguns correndo no mesmo ritmo que eu. Eles têm uma chegada diferenciada onde são entregues as medalhas contendo as seis estrelas (Chicago, Boston, London, New York, Berlin e Tokyo). Demais!!!!

Durante todo o percurso tinha muita gente na rua torcendo, gritando e apoiando, além das atrações oficiais da prova: com bandas, samurais e personagens tais como Super Mario...

Apesar de tudo isso, maratona é sempre uma maratona. Um bando de gente louca correndo, cada um na sua vibe, o que me faz ser apaixonada por essa distância.

Vi gente de todas as idades e nacionalidades sofrendo igual depois dos 30 km. Não importa se é em Tokyo ou em Porto Alegre, sempre vai doer.

Correr uma maratona tem o seu valor, não importa se você faz em 3h ou em 5h. Todo mundo acaba se igualando no fim das contas.

Eu treino porque amo correr e traço minhas metas conforme as minhas condições. Não corro para ninguém. Corro para mim. Não considero que alguém deva ser classificado pelo ritmo ou distância que corre, mas eu acabo me cobrando e quem corre sabe como é isso. Claro que comemoro quando vai tudo bem, afinal a endorfina colateral de tudo isso é viciante e as memórias duram eternamente.

Terminei a prova completamente emocionada em 3h58. Chorei muito. Agradeci ao Universo por poder viver tudo isso! Sensação indescritível!

A viagem mais intensa que fiz até hoje. Só tenho a agradecer a todo mundo que apoiou e torceu por mim!!!

A próxima meta? Já está sendo trabalhada!

 

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